O Meu Barão reproduz artigo do economista e especialista em mercado de capitais, Sérgio Goldman. Confira.

“Até o dia 28 de janeiro, o Ibovespa acumula alta de 8,6%, um desempenho bastante expressivo quando consideramos que a economia Brasileira opera em ambiente de baixa taxa de juros.

Expectativas positivas quanto à implementação de uma agenda de reformas que levaria a uma aceleração do crescimento econômico são sem duvida o principal vetor do desempenho positivo do mercado de ações.

Muitos investidores devem estar se perguntando se ainda faz sentido se posicionar na Bolsa Brasileira.

Minha resposta é SIM.

Entretanto, antes de ir em frente, os investidores devem considerar os seguintes pontos:

  1. O perfil de risco do investidor deverá ser o principal determinante para a definição do percentual de recursos a ser investido em renda variável. Mesmo investidores com perfil considerado conservador, podem ter uma parte de sua poupança alocada a ações de empresas com gestão de qualidade, boas perspectivas de crescimento, política adequada de governança corporativa e histórico de resultados positivos e consistentes.
  2. Investimento em ações é projeto de longo prazo. Isso não significa que o investidor não possa modificar sua carteira em períodos curtos de tempo. Cenários mudam e essas mudanças fazem com que a venda de ações da carteira ou a compra de novas ações sejam necessárias. Mas considero extremamente arriscado investir em ações com a expectativa de obter ganhos elevados em períodos curtos de tempo.
  3. Resultados futuros das empresas investidas determinarão o desempenho das respectivas ações. Os gestores de fundos de investimentos costumam incluir em seus comunicados a frase: “desempenho passado não é garantia de retornos futuros”. Exatamente a mesma coisa pode ser dita para o investimento em ações. O fato de uma empresa ter tido um bom desempenho nos últimos anos não quer dizer que seu desempenho futuro também será positivo. Em tempos de inovações disruptivas, isso é ainda mais verdadeiro.
  4. Diversifique sua carteira de ações. Sugiro considerar construir uma carteira com pelo menos 5 ações, de setores diferentes.
  5. Preço da ação é uma variável chave na decisão de investimento. De maneira simplificada, diríamos que o preço-justo (valor que o preço da ação pode chegar) de uma ação é determinado pelo valor presente das expectativas de resultados futuros. Se o preço de mercado de uma ação estiver muito próximo desse preço-justo, não vale a pena investir. Por isso, existem situações onde o investimento em empresas de qualidade inquestionável não é recomendado.
  6. Investimentos via fundos de ações são uma boa opção para aqueles que estiverem inseguros em montar sua própria carteira. Nesse caso, a qualidade do time de gestão do fundo, a consistência da equipe e a política de gestão de risco são fatores fundamentais para a escolha do fundo a ser investido.”

(*) Artigo de Sérgio Goldman, economista, com vasta experiência em mercado de capitais.