O Meu Barão reproduz texto do blog Bem Gasto(*) , do Insper, uma das melhores escolas de economia e negócios do Brasil. Veja abaixo.

“Estudos apontam que apenas a educação financeira (recebimento da informação de como planejar as finanças) não basta. Precisamos achar uma maneira de levar isso para nosso cotidiano. E esta é a parte mais difícil. Quem nunca prometeu começar uma dieta e um programa de exercícios na próxima segunda-feira… e dias depois se joga num sorvete depois de uma jornada estressante de trabalho. Afinal, merecemos uma recompensa, certo?

Muitas coisas na vida requerem disciplina e paciência, mas são justamente essas as coisas gratificantes no longo prazo. Escovar os dentes evita cáries; estudar te dá um futuro melhor; ser saudável evita problemas sérios na velhice; dedicar-se ao seu parceiro diariamente te garante um relacionamento duradouro e feliz.

Nós seres humanos somos muito bons em fazer promessas, mas ruins em fazer escolhas em que as recompensas estão em um futuro distante. E opta pelo prazer do presente imediato, fácil de ver e sentir. O problema? O futuro uma hora chega, virando nossa realidade.

Eu sei, você deve estar pensando: ok, a vida é difícil, somos impulsivos e tomamos decisões ruins por causa da nossa condição psicológica. O que posso fazer?

O grande segredo é fazer das coisas boas um hábito. Pense em 2 hábitos saudáveis do cotidiano: escovar os dentes e tomar banho. Ambos dão benefícios enormes e fazemos todos os dias, não? Por que será que é tão fácil a gente incorporá-los no nosso cotidiano?

Após fazê-los, temos pequenas recompensas imediatas. Escovar os dentes e sentir o gosto de menta da pasta e o hálito fresco é gostoso, no banho podemos cantar, pensar, relaxar e ficamos com uma boa sensação de limpeza.

Outro ponto é a pressão social: ninguém gosta de alguém com mau hálito ou cheirando mal, sem usar desodorante, né?

Mas então por que poupar é tão difícil? Exatamente porque não temos recompensas imediatas e a pressão social não nos ajuda; aliás, nos atrapalha.

Gosto muito do exemplo do economista Dan Ariely. Ele conta que há mil anos competíamos com nossos vizinhos para ver quem tinha mais bois, galinhas e terra (na época isto era considerado poupança). Quando o dinheiro foi criado, a poupança não ficou mais visível. A forma de competição era mostrar nossas roupas, joias e carros, e fazíamos isso gastando dinheiro para comprar esses bens. Tivemos uma inversão que não incentiva a poupar, e sim, a gastar. Portanto, cuidado com a pressão social.

Portanto, lembre-se: compita em poupança. Pense que seu vizinho não tenha nada ou esteja endividado e que você está se preparando para um futuro tranquilo e seguro. E evite andar com pessoas que gastam muito. Quando andamos com um grupo, replicamos os hábitos para nos sentirmos membros e ter sensações de pertencimento.

A recompensa é a mais difícil. Não é algo óbvio, como um gosto bom ao escovar os dentes. Precisamos ter uma sensação boa ao entrar na nossa conta bancária e ver os números positivos crescendo, um estranho prazer de chegar em casa e anotar tudo o que gastou e poupou.

Digo que o primeiro passo é entender o porquê de nós agirmos assim: autoentendimento é fundamental. Saber dos nossos vieses, fraquezas, e aceita-las é o básico. Assim, iremos perceber melhor a razão pela qual estamos fazendo más decisões. Vou nomear este 1º passo de self-awareness.

O segundo passo é moldar nossa realidade e situações para nos ajudar a poupar.”

(*)Rubens Sanghikian é economista e voluntário do site Bem Gasto.